A preocupação com a saúde mental também tem mobilizado diferentes órgãos e instituições
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) contabilizou, no primeiro semestre deste ano, 791 atendimentos psicológicos e psiquiátricos em todo o estado de Alagoas. Também foram registrados 241 atendimentos relacionados a tentativas de suicídio, revelando uma preocupação crescente com a saúde mental da população.
Os números, colhidos pelas duas Centrais do Samu – Macro I (Maceió) e Macro II (Arapiraca) – apontam um aumento de cerca de 20% em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse crescimento evidencia a necessidade de reforçar políticas públicas e ampliar a rede de atenção psicossocial. A cada ocorrência, os profissionais do Samu se deparam com pacientes em crise emocional ou em risco de autoagressão, situações que exigem preparo técnico e sensibilidade no acolhimento.
Para lidar com esse desafio, o Samu investe em capacitação contínua. Através do Núcleo de Educação Permanente (NEP), os socorristas recebem treinamentos específicos voltados ao atendimento de pacientes em surto psicológico ou em sofrimento mental, garantindo que as abordagens sejam pautadas em humanidade e respeito.
“É um trabalho delicado, que exige preparo e atualização constante. Por isso, os cursos de educação continuada oferecidos pelo NEP são fundamentais para que nossas equipes estejam cada vez mais capacitadas a lidar com situações de crise, sempre com olhar humanizado e respeitoso ao paciente”, destacou a coordenadora do Samu Maceió, enfermeira Beatriz Santana.
A preocupação com a saúde mental também tem mobilizado diferentes órgãos e instituições. Reuniões recentes reuniram representantes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Subsecretaria de Segurança Municipal, Programa Ronda do Bairro, Ministério Público Estadual, Promotoria Estadual e coordenação do Samu 192. Todos engajados em encontrar estratégias conjuntas de acolhimento a esses casos.
O secretário de Estado da Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes de Miranda, ressaltou que a Sesau tem trabalhado de forma integrada para fortalecer a rede de cuidado. “Não temos medido esforços para capacitar os profissionais de saúde, desde os que atuam nas unidades de porta aberta até as equipes do Samu, que são as primeiras a chegar em ocorrências dessa natureza. Nosso objetivo é que cada paciente seja atendido com dignidade, acolhimento e atenção especializada”, afirmou.
O avanço nos números reforça a importância em falar sobre saúde mental. A realidade em Alagoas acompanha a tendência nacional, que aponta para um aumento expressivo nos atendimentos a pessoas em sofrimento psíquico.
Especialistas alertam que o enfrentamento desse desafio depende da soma de esforços: capacitação profissional, fortalecimento da rede de apoio e, sobretudo, da compreensão de que a saúde mental é parte essencial da saúde integral de cada pessoa.
A Sesau reforça que a rede de atenção psicossocial estadual vem se expandindo, com Caps em diversos municípios — eixo central para acolhimento, acompanhamento e redução de internações — e articulação com o Hospital Escola Portugal Ramalho, referência para urgências psiquiátricas.









